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Texto de Pedro Farias
Tem tido uma vida aos saltos?
[risos]
Nem sempre. Quando fui para o Grecas comecei a correr meio fundo. Depois o meu treinador viu que eu tinha mais qualidades para as barreiras. Entretanto passei das barreiras para os saltos, primeiro em comprimento depois para o triplo salto. No primeiro ano de juvenil fiz 11,14 metros o que era a melhor marca nacional daquele escalão. Depois fui evoluindo.
Como é que uma menina de nove anos vai parar ao atletismo?
Já corria muito quando andava na escola primária, principalmente em provas de atletismo da aldeia. Depois, como o meu tio fazia parte da direcção do Grecas, e viu que eu tinha algumas aptidões físicas, chamou-me para o clube. Ao início fui por brincadeira. Nunca pensei chegar tão longe. Mas agora… Atletismo para sempre.
É uma paixão o atletismo?
Exacto.
O país tem tido recentemente atletas a obter grandes resultados em palcos internacionais. O atletismo estará na moda?
Infelizmente em Porttugal praticamente só se pensa em futebol e esquece-se as outras modalidades onde o país tem tido grandes resultados. Gostava de dar os parabéns ao Nélson Évora [campeão mundial de triplo salto], que já tive oportunidade de conhecer. Ele pertence ao Benfica e o Grecas, apesar de ser um clube de aldeia, também faz parte dos melhores clubes nacionais. Fazemos por isso o apuramento e a final de clubes onde nos encontramos de vez em quando. Ele é uma pessoa humilde que trabalha imenso. Parabéns para ele que merece este título.
A humildade e o trabalho são os segredos dos campeões?
Exactamente. Acho que um atleta tem de ser sempre humilde. A fama não deve subir à cabeça. Nunca nos podemos esquecer de que vimos de baixo e que ninguém começa lá em cima. Toda a gente tem de trabalhar para chegar onde o Nélson Évora, a Naide Gomes ou o Rui Silva chegaram. Todos temos que trabalhar.
Como é o dia a dia de um triplista?
Eu trabalho durante o dia até às sete. Depois treino até às 21h30, isto todos os dias. Aos fins de semana - praticamente todos - há competições.
Não parece nada fácil saltar três vezes antes de ‘aterrar’ na areia…
O triplo salto é considerado uma das disciplinas mais difíceis de fazer do atletismo. Tem de se fazer um hop (espécie de pé coxinho), depois um step (uma passada larga) e depois o jump que é o salto para a areia. E com isto tem de se tentar chegar o mais longe possível.
Há uma técnica própria de corrida, os braços ajudam muito, há muitos aspectos técnicos…
Que condições de treino tem o Grecas?
Não temos grandes condições. Treinamos na pista da Universidade de Aveiro que já está um pouco gasta e é muito ventosa, o que torna as coisas mais difíceis para acertar a corrida nos saltos. O nosso clube paga para podermos entrar. Por vezes treinamos à chuva. Depois há as restrições de entrada na pista. Às vezes não nos ligam as luzes e temos de treinar às escuras… É complicado, mas com esforço tudo se consegue. Em Vagos estavam a construir um estádio mas infelizmente pararam as obras.
Se o Grecas tivesse outras condições…
… os resultados podiam ser ainda melhores. Às vezes temos que deixar atletas irem embora para clubes grandes porque infelizmente as condições não são as melhores. E somos dos clubes do distrito que tem mais atletas em todos os escalões.
Nome: Carla Sofia Vieira Pinhão
Idade: 17 anos
Naturalidade: Salgueiro – Vagos
Clube: Grecas
Atleta desde os 9 anos
Profissão: Cabeleireira
Vice campeã nacional de Triatlo (infantil)
Campeã nacional de estafetas
Vice-campeã nacional de salto em comprimento
Campeã Nacional Juvenil de Triplo salto (2007)
13ª no Festival Olímpico da Juventude Europeia em Belgrado (2007)
obter mínimos para o Europeu de Juniores em 2009
ir aos jogos Olímpicos
Entrevista da autoria de Pedro Farias, publicada na edição de 06 de Setembro de 2007 no jornal O AVEIRO.
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