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Renato Costa, atleta do CENAP, desvenda os segredos do lançamento do disco 30-08-2007
Renato Costa, atleta do CENAP, desvenda os segredos do lançamento do disco

Sobe sobe, disco, sobe!

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Texto de Pedro José Barros

Porquê a escolha dos lançamentos em detrimento da corrida, por exemplo?

Comecei com o meio fundo. Mal sabíamos o que eram os lançamentos. Para nós o atletismo era correr. Comecei a correr, mas uma vez fui a Viseu fazer um arremesso de bola, que era a iniciação para o dardo. Cheguei atrasado e não fiz a prova e havia uma prova de disco. Fui fazê-la foi a primeira vez que peguei num disco. Fiz 14 metros e qualquer coisa.

Esse valor era bom?

Não, é péssimo. Comecei a treinar disco e fui subindo até que bati o recorde regional de Aveiro de infantis, que era de 24 metros. Fiz 32 em Viseu. A partir daí, treinei sempre disco.

Por que abandonou a corrida?

Por causa da estatura física. É mais cansativo e também sou pesado. Nesta altura da época estou com 92 quilos. Além disso, a vontade de ir aos treinos para correr também não era muita.

Por que razão se sente mais à vontade no disco, ao nível dos lançamentos?

É a disciplina que mais gosto, além de ter sido aquela por onde comecei. Fiquei mais motivado para o disco. Também gosto de fazer o peso mas cai mais perto. É mais fixe ver o disco a subir e ir mais longe. Depois, também porque treino com a Teresa Machado, que foi quatro vezes aos Jogos Olímpicos no disco. O seleccionador nacional é mais especialista no disco também...

Como tem sido a experiência de treinar com a Teresa Machado? É uma inspiração?

Também. Estamos sempre na brincadeira uns com os outros.

Dá-lhe muitos conselhos?

Muitas vezes dá.

Costuma segui-los?

Sim. Não são conselhos que ainda não tenha ouvido mas sim.

Que tipo de conselhos recebe?

Os conselhos são mais técnicos porque nas provas não sou muito nervoso. Faço as provas calmo, descontraído.

Como são os treinos de um lançador?

Começamos com um aquecimento, uma ligeira corrida de cinco minutos por dia, nem tanto às vezes. Fazemos os exercícios de aquecimento, de braços e pernas.

Por vezes fazemos uns abdominais antes de começarmos os treinos. Fazemos de dez a 15 lançamentos de disco parado e depois começamos a fazer o lançamento completo, já com a técnica, fazendo de 30 a 40 lançamentos. Não treinamos os lançamentos, fazemos os lançamentos para ir melhorando e apurando a técnica. Depois fazemos a chamada força especial.

Força especial?

Sim. Trata-se de lançar o disco com um peso de dois quilos na mão, que faz mais força. Fazemos dorsais, com o peso para trás, o que trabalha as pernas e os braços.

Como define a técnica necessária?

É exigente. Tem de ser muito treinada ao longo do ano. Temos o exemplo da Teresa Machado, que levou anos a apurar a sua técnica mas quando a apurou foi considerada das melhores do mundo ao nível da técnica.

Quais as principais noções técnicas a reter num lançador do disco?

O básico é andar com a perna direita por fora. A perna tem de andar por fora para ir para o meio do círculo, para o pé direito rodar no chão, para por sua vez o pé esquerdo fixar no chão, a anca entrar e lançar o disco.

Até onde conseguiu lançar nos vários tipos de lançamentos?

Em iniciados, com o disco de um quilo fiz 50,54 metros e, com o peso, 14,43 metros. Como juvenil, fiz 47,03 metros com um disco de um quilo e meio e, com um peso de cinco quilos, fiz 14,20 metros. Sou juvenil do primeiro ano, ainda me falta um ano de juvenil com os mesmos pesos.

Até onde gostaria de lançar?

Talvez chegar a um recorde nacional, que neste momento é do Paulo Bernardo com cerca de 60,5 metros. O objectivo para o futuro são os Jogos Olímpicos. Daqui a dois anos, para começar a época internacionalmente, os campeonatos da europa de juniores e daqui a três, os campeonatos do mundo de juvenis. Depois, sempre a subir.

Decorrem neste momento os campeonatos mundiais de atletismo no Japão. Vê-se como atleta de um mundial?

Ainda na outra noite esteve a dar o lançamento do disco e eu pensava que gostava de lá estar um dia...

Estar em competição é completamente diferente de estar num treino...

Sim, é completamente diferente. durante as provas não se pode corrigir erros técnicos. Dá-se uma dica aqui ou acolá mas não se pode estar a corrigir grandes erros. É para chegar ali, fazer o que fizemos no treino nos dias anteriores, se foram bons treinos, e lançar o máximo possível.

Também é preciso uma grande força de braços...

Sim, no início da época fazemos ginásio mais ou menos uma vez por semana. Temos um ginásio no pavilhão da Gafanha da Encarnação. É pequeno mas tem boas condições. São condições que muita gente não tem e gostaria de ter, não são as melhores mas são muito boas.

Não pratica o lançamento do martelo. É mais complicado?

É uma técnica completamente diferente da do disco. No martelo temos de andar com as pernas fechadas e no disco elas têm de andar abertas.

Ficha Técnica

Nome: Renato Costa

Idade: 15 anos

Naturalidade: Aveiro

Clube: Centro Atlético Póvoa Pacense

Palmarés principal

- Campeão nacional no lançamento do disco no Olímpico Jovem nacional (2007)
- Vencedor da Taça da Federação Portuguesa de Atletismo no lançamento do disco e segundo classificado no lançamento do peso (2007)
- Campeão nacional da prova de lançamento do disco, em desporto escolar, e quarto classificado no lançamento do peso (2007).
- Terceiro lugar no Campeonato Nacional de Juniores em lançamento do disco (2007).
- Segundo classificado (como iniciado) no Campeonato Nacional de Inverno na prova de lançamento do dardo e quinto classificado no lançamento do disco (2006).
- Segundo lugar no Olímpico Jovem nacional, no lançamento do peso (2005/2006).

Próxima meta

Conseguir mínimos para o estatuto de alta competição em 2008, no lançamento do disco. Ganhar o campeonato nacional e as provas mais importantes e ir ao campeonato do mundo de desporto escolar.

Entrevista da autoria de Pedro José Barros, publicada na edição de 30 de Agosto de 2007 no jornal O AVEIRO.



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